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Isla perde o seu fundador. Plínio Oscar Werner morreu no dia 19 de março, aos 83 anos. Ele tinha câncer, diagnosticado havia dez meses. Plínio deixa saudade para a família e os amigos e uma história vitoriosa, de dedicação e amor ao trabalho.
Plínio nasceu em Montenegro (RS) em 1926. Estudou em internato e nos finais de semana e nas férias voltava para casa, onde trabalhava com os pais na produção de mudas de citros. Aos 17 anos, mudou-se para Porto Alegre, e começou a trabalhar como funcionário em uma banca do mercado livre, próximo ao atual Mercado Público. Algum tempo depois, ele conseguiu adquirir sua própria banca. Revendia frutas e mudas de árvores frutíferas. O trabalho para Plínio começava muito cedo. Às quatro da madrugada estava lá para receber as frutas trazidas pelos produtores e em seguida já era hora de abrir a banca para o público.
Durante o trabalho na madrugada, havia também um espaço para tomar um café e conversar com os agricultores. Foi nessa troca de ideias que Plínio percebeu a existência de um mercado potencial. Havia uma grande demanda dos produtores por sementes de hortaliças. Plínio resolveu apostar. Contratou dois vendedores para anotar os pedidos dos agricultores. Como não existia produção de sementes de hortaliças no Brasil na época, a solução inicial foi a importação.
Surgia assim, em 1955, a Isla (sigla para Importadora de Sementes para Lavoura Ltda). Plínio contou com uma grande colaboradora, sua esposa e sócia Dulce Lea Spalding. Juntos, os dois foram responsáveis por grandes inovações no setor de sementes de hortaliças no Brasil. A primeira delas foi justamente a fundação de uma empresa nacional - antes só existiam estrangeiras nesse segmento.
Nos primeiros anos, a Isla atuava apenas como importadora e revendedora. Mas o projeto de produzir as sementes no Brasil logo foi colocado em prática. No início dos anos 1960, Plínio e Dulce iniciaram o cultivo em duas pequenas áreas em Guaíba e Barra do Ribeiro. Na década de 1970, a empresa expandiu a produção com a aquisição de uma área maior, em Candiota. Graças a esses primeiros passos, a Isla tornou-se nas décadas seguintes uma das mais conhecidas e respeitadas empresas de sementes de hortaliças, flores, temperos e ervas medicinais do Brasil.
INOVADOR - As pessoas que trabalharam com Plínio sempre o destacaram como um empresário de ideias inovadoras. Na construção da Isla, foram vários os projetos colocados em prática a partir de suas ideias. Ideias muitas vezes simples, mas cujo resultado alçava o setor a um novo patamar no Brasil. Uma dessas inovações, em especial, Plínio gostava de contar. Na década de 1960, o envelopamento de sementes era feito manualmente e era necessário modernizar essa ativi-dade. Ao saber que na Alemanha era fabricado um equipamento para esse fim, Plínio viajou para aquele país, em 1967. Mas lá foi informado de que as máquinas que mais se aproximavam do que ele procurava eram as destinadas a envelopar pregos. Plínio não se deu por vencido e comprou a tal máquina. Em Porto Alegre, convocou seu mecânico, que fez uma adaptação, transformando-a em uma máquina de envelo-pamento de sementes de hortaliças. Em todo o mundo só existiam três máquinas que cumpriam essa função, e uma era a da Isla.
Alguns anos antes, em 1964, a Isla construiu a sua primeira câmara desumidificada para armazenamento de sementes. Na época, as empresas eram obrigadas a vender seus estoques no prazo de um ano, sob pena de perderem o que não fosse comercializado. A câmara desumidificada da Isla também foi uma das primeiras do mundo.
Outro avanço aconteceu em 1969, quando a Isla passou a embalar as sementes em envelopes de alumínio, hermeticamente fechados. Surgia assim o envelope batizado de Isla Pak. Novamente, a Isla foi pioneira. Antes dela, apenas outra empresa, na Índia, usava esse sistema.
Em 1992, Plínio passou a presidência da Isla para o filho Luciano, mas continuou a atuar na empresa, como diretor superintendente. Nesse período, foi novamente uma ideia do fundador da Isla que deu novo impulso à empresa: a implantação do serviço de televendas. A Isla era assim a primeira do segmento a oferecer esse serviço, graças a uma sugestão de Plínio.
Em entrevista ao Sementito, edição de maio de 2003, Plínio comentou sobre o sucesso de seus ideias. Com simplicidade, ele disse que não há fórmulas prontas e que nunca teve certeza de que suas ideias dariam certo. Pelo menos, não antes de colocá-las em prática. "A gente tem que experimentar e tocar para frente", afirmou. Na entrevista, Plínio declarou-se realizado com o resultado de seus empreendimentos. "A gente não pode passar pela vida sem fazer nada, tem que lutar sempre e realizar alguma coisa na vida".
Criatividade. Ideias colocadas em prática. Projetos concretizados. Plínio Oscar Werner certamente é protagonista de muitas realizações. A marca de seu espírito inovador está presente na Isla e fica registrada na história empresarial do Brasil.
LEGENDA DA FOTO: Plínio em plantação de flores em Barra do Ribeiro na década de 1970
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